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ZOROASTRISMO     
Quem teme Deus, Não conhece Deus…           

 

O Bem e o Mal na Mazdyasna         

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Talvez nenhuma outra doutrina no Zoroastrismo seja tão famosa com a “Doutrina do Bem e do Mal”. Também é a mais ouvida e a pior compreendida. Isto sucedeu porque, não só, é a primeira doutrina religiosa claramente ética na história, mas foi e é, a que deu a resposta mais satisfatória ao que é conhecido como o “problema do mal”.    

A Doutrina nos Gathas – Canto 3
No Canto 3 dos Gathas, Zaratustra dá-nos elementos essenciais do pensamento Zoroastriano sobre o Bem e o Mal. A mesma introdução no Verso 3:1 deste Canto, insere os chamados “Princípios” a “aqueles” que “desejam ouvir” e diz-nos que estes princípios são “importantes aos sábios e prudentes”.  

Discernimento
Em primeiro lugar no Canto 3:2 ele chama a estes princípios “discernimentos” que nos permitem uma escolha, depois de escutá-los ou percebê-los reflectindo neles com uma mente clara e iluminada.

Mentalidades
O que é são então estes discernimentos? No Canto 3:3 Zaratustra chama-lhes “Mentalidades” (Mainyus), para a Mente a faculdade humana que faz o Homem capaz deste discernimento. Ele diz que estes dois “Mainyus” são gémeos. Estes gémeos também se descrevem como o “bom” e o “mau” nos pensamentos, palavras e acções. A mentalidade melhor, progressiva, Ele é o Demónio no céu...
criativa, ampliadora e moralmente edificante, ou seja, Spenta Mainyu e seu gémeo oposto é “Aka Mainyu” a mentalidade injusta, retardante e má. É pertinente sublinhar que na literatura mais tardia, estas mentalidades gémeas terminaram por ser “espíritos” e nas futuras duas entidades “Ohrmazd” (Deus) e “Ahriman” (O Diabo) durante a dinastia de Sassánida dando lugar ao conceito errôneo de que existe um Dualismo Cósmico no Zoroastrismo.

Escolhas
However,           No entanto, não existe nenhum Ahriman, pois nos Gathas nunca se menciona nem como uma entidade nem como outra coisa qualquer. As duas mentalidades, ou os dois princípios, são de facto, as escolhas (opções) que nós mesmos devemos fazer de per si (ou seja, a opção entre estas duas mentalidades) e que são, simultaneamente, a forma de fazer escolhas ou eleições na vida.


No Canto 3:5 é-nos dito que a mentalidade injusta escolhe as piores acções, enquanto a mais progressiva (Spentatoish) escolhe a retidão. Os Gathas também nos asseguram que aqueles que desejam agradar ao Sábio escolhem a Retidão através de “acções verdadeiras”. Reciprocamente no verso seguinte, Canto 3:6 a escolha de Aka Mainyu identifica-se directamente com uma má escolha “ a eleição da pior mente”.

A Escolha situa-se entre a maneira de pensar, falar e actuar “Spenta” e a maneira de pensar, falar e actuar “Aka”. Assim, em lugar dos “seres espirituais” opostos (como surge na literatura tardia) nos Gathas os Mainyus são claramente “formas de pensar” que existem nas mentes dos mortais. Aqueles que escolhem Spenta são os Retos e aqueles que escolhem Aka são os injustos. Por conseguinte, é mais que evidente que não há espíritos gémeos que combatem no Cosmos sob a orientação de Ahura Mazda ou Ahriman, ideia que uma criação do incorrecto entendimento dos Gathas pelos Sassánianos.

fogo

Consequências
No Canto 3:4 estes opostos estão representados como criando a “VIDA” e o “NÃO VIVER”, implicando assim, que quando escolhemos a maneira de pensar Spenta, escolhemos a maneira correta de viver e, reciprocamente, quando escolhamos a maneira Aka de pensar é de facto a maneira incorrecta de viver….um sinónimo de não viver em realidade de mau viver. O verso adverte ainda mais que “…até ao fim da existência («angheush» que também se pode definir como o Mundo) a pior mente (ou mentalidade) é para o injusto e a melhor mente é para o Reto”.

Mais ainda, no Canto 3.11 é-nos dito explicitamente: “se entende os princípios da properidade e da adversidade (Mainyus como é explicado no canto 3:1) estabelecidos pelo Sábio, que são um longo sofrimento para o injusto e um bem duradouro para o reto, então disfrutaremos de “radiante felicidade” (Ushta).

Conclusão
Assim a doutrina Zoroastriana enuncia claramente, que o Mal na Mazdayasna vive dentro das mentes dos mortais. Produz-se por escolhas ou opções erróneas, retrógradas e más. Por outro lado, o Bem é um produto das opções retas da mentalidade Spenta. Mal e Bem são claramente decretos éticos que não têm existência real fora das mentes, mentalidades ou opções do Homem.

A conclusão lógica deste ensinamento é que nós na Mazdayasna cremos que não existe nenhum mal na natureza. Os furacões, terramotos, vulcões e doenças que as pessoas crêem ser fruto da ira da natureza, uma manisfestação do Mal ou castigo para as malfeitorias do Homem, são eticamente neutros no Zoroastrismo. Estes fenómenos não são bons ou maus em si mesmo. Ou são necessários, uma função de Asha para sustentar e pioar a criação ou são produtos do acaso, a existência da qual são necessários para permitir a liberdade de escolha.

Por exemplo, enquanto a Terra treme e os vulcões causam consequências destrutivas e desastrosas à existência humana, na realidade estes acontecimentos são necessários para aliviar a pressão interna da crosta terrestre. Sem este alívio da pressão, a Terra expodiria pelas pessões do seu centro.

Na Mazdayasna Deus é totalmente bom, assim toda a Sua criação é boa e está funcionando como ele a delineou. O mal é o produto das escolhas injustas do ser humano e que será eliminado por boas escolhas. Zaratustra expressa belissimamente esta ideia através da expressão “entregar o mal nas mãos da Retidão”. Quando os mortais eliminam as más escolhas tornan-se progressivamente mais Íntegros (completos), chegando no futuro à imortalidade numa melhor existência (A Casa da Boa Mente) e à presença do nosso Criador.

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