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KSHATHRA: O BOM DOMÍNIO DA ELEIÇÃO :
Nos Gathas de Zaratustra, cada homem e cada mulher são instados a alcançar o carácter de Ahura Mazda bebendo das suas essências ou aspectos, escolhendo-os para que entrem nele, escolhendo-os livremente na sua vida. No entanto, a responsabilidade do ser humano não acaba com a melhoria e crescimento próprio. A responsabilidade é uma responsabilidade colectiva. Aparte isso, é também responsável pela promoção e a formação de uma ordem social e política, justa e progressiva ao seu redor, na sociedade, no seu país e no mundo. Noutros termos, deve esforçar-se por estabelecer o Kshathra de Mazda Ahura – Seu Bom Domínio da Eleição.
A palavra Kshathra na sua raiz significa “para estabelecer” em conjunto com as implicações de poder e de autoridade. Em conjunto com Vohu e Varya continua a asignificar “bem” e “escolhe”. Em conjunto estabelecem mudanças progressivas e retas nas pessoas e na sociedade. E, assim mesmo, a autoridade para estabelecer e/ou proteger as pessoas estáveis. Para entender este conceito é necessário recordar a comparação que, com frequência, Zaratustra utiliza confrontando a pessoa pacífica ou estável com a pessoa que é nómada sem raízes e agressiva.
Claro que não é uma comparação literal. Realmente, estas duas condições são usadas para descrever duas tipologias de indivíduos. Por um lado, a pessoa estável que decide firmar-se e viver uma vida produtiva, unida à sociedade e que trabalha para a sua melhoria. Por ouro lado, a pessoa nómada que se nega a ser responsável e que egoisticamente procura manter uma vida incerta à custa de outros e a quem não preocupa a promoção da sociedade e o bem-estar do mundo.
Assim, o que é afinal Kshathra? Como um atributo de Mazda, Kshathra é o Domínio Ideal de Deus, a Sua Soberania na Terra, a Sua força infinita e poder benévolo. Respeitante ao nome, Kshathra é a regra ou autoridade ideal que promove ou facilita o atingir de Haurvatat e Ameretat (A Integridade e a Imortalidade) pelo maior número possível de criaturas de Deus. É o Domínio ou controle na vida dos mortais das essências e aspectos do carácter Divino.

Como é que uma ordem destas pode ser promovida? Ao nível individual sob a forma de autoridade para harmonizar todos os pensamentos individuais, as palavras e acções com a Boa Mente e a Retidão.
Ao nível colectivo enquanto ordem social onde impera, primeiro a Boa Mente e a Retidão, mas também Aramaiti (Integridade). E, todas em conjunto, por escolherem, pensarem e falarem de acordo com Spenta Maynu, ou seja, de acordo a Mentalidade Progressiva. Constrói-se na fundação da estabilidade (Aramaiti) e reflecte-se num governo cujos representantes somente sejam escolhidos pela sua Retidão. Quando se elegem ou escolhem tais homens, estes tornam-se reabilitadores dos que são, de alguma forma, oprimidos. É a sociedade que promove a vida estável. (Este é o sentido da oração de Ahunavar).
Assim, Kshathra é a Ordem Ideal – A Ordem Boa e Benévola da Eleição e livre escolha: é o Reino de Deus na Terra ou a modo que Deus deseja que vivamos. A versão divina desta Ordem é a Casa da Boa Mente, ou Casa do Canto onde o senhor Sábio mora. Vejamos como o Domínio se utiliza nos Gathas:
A Serenidade (Aramaiti) promove o Domínio Invencível (Canto 1:3). Concede-se através da Retidão e da Boa Mente (Canto 2:10). Compreende-se através da Boa Mente (Canto 3:8) também aumenta pela Boa Mente e promove-se com a Retidão (Canto 4:6 & 16).
Deus concede-o à pessoa benéfica que trabalha para a sua realização (Canto 4:21 & 22). Pertence à Boa Mente e promove o esclarecimento (Canto 6:5 & 10) No seu Plano Divino é o prémio da graça divina e poderosa.
Os promotores da Boa Mente vivem no Domínio Divino (Canto 7:3). É para proteger os oprimidos (Canto 7:5). Deus vem com o Domínio na mudança final da criação (Canto 8:6). A Serenidade permanece nele (Canto 8:16). Coloca-se através da Boa mente (Canto 9:6). Deus é o seu senhor (Canto 9:9).
Deus estabelece os Seus princípios através do Domínio (Canto 10:7). A doação da Totalidade e Imortalidade ocorre no Domínio (Canto 10:10) Promove a Paz através da Serenidade (Canto 13:11) A união Feliz com a Retidão é dada por Deus no Domínio Divino (Canto 14:8).
Os prémios de ajuda e protecção através da Boa Mente e Retidão e a vida estável pertencerão aos que se Lhe prometeram através do Bom Domínio. (Canto 15:1-3). Agrada-se a Deus através do Bom Domínio (Canto 15:4) o Domínio será escolhido, será desejado e se orará para ser obtido (Canto 16:1-2) o Domínio proporciona um viver honrado aos oprimidos de bom viver (Canto 17:9).

HAURVATAT: Totalidade ou a realização da Integridade: Haurvatat é o estado de Inteireza (totalidade) ou Integridade que se alcança incrementalmente por aqueles que escolhem os pensamentos, os actos e as palavras da Retidão com a Boa Mente e a Serenidade, enquanto também se esforçam pelo Bom e Escolhido Domínio. É a meta da existência física, o alcançar deste estado pleno de Plenitude ou Integridade; é o requisito prévio à Imortalidade e para cruzar o Chinvat Peretu (a Ponte da Separação) à “Existência Boa” ou “Casa do Canto”. Pode experimentar-se parcialmente durante o nosso progresso até à sua completa obtenção. Também é a aquisição das outras essências de Deus, porque para alcançá-lo, cada um deve estar habitado internamente pelas essências divinas e crescer nelas, quer dizer, crescer em Retidão, Boa Mente, Serenidade, Domínio Eleito e Benévolo e todas as outras essências de Deus, Seraosha, Ashi, etc…Quando nós através das escolhas Spenta (progressivas) de acordo com a Asha e, portanto, Boas, completamo-nos nas nossas capacidades por inteiro com a aquisição das essências de Deus, então, nós alcançamos a Imortalidade.

AMERETAT: A Imortalidade: literalmente, Ameretat significa não-mortalidade ou o estado de não-agonizar. Isto traduz-se universalmente como Imortalidade, mas também poderia definir-se como vida eterna, e na minha opinião, no estado do ser ou alma que cruza o Chinvat Peretu alcançando a Boa existência e não tem que regressar a um estado (reincarnar) onde tenha que escolher erroneamente criando, dessa forma, o mal. O alcançar da Totalidade e a Imortalidade implica que a pessoa aprendeu a escolher sempre correctamente. O não aprender como fazer correctamente ou o não querer fazê-lo impedem as almas de cruzar o Chinvat e entrar na Casa da Boa Mente e à presença constante e à comunhão com o Todo Bom, Mazda Ahura.
É o estado alcançado por aqueles que conseguiram a totalidade, mas também é incremental na sua natureza e, assim, pode ser experienciada parcialmente antes do seu completo alcance. É o estado em que desfrutaremos a plenitude da Boa existência. É nesta Boa Existência que alcançaremos a totalidade das essências de Deus. Esse é o Domínio Divino – A Casa da Boa Mente, A casa do Canto (A casa da Entoação) onde Deus mora
Utilizam-se frequentemente em conjunto Ameretat e Haurvatat, tanto que são chamados Gémeos. A totalidade é o último requisito prévio para a Imortalidade. Só a pessoa Inteira, a pessoa que está completa em si mesma, pode alcançar Ameretat, o que garante uma Boa Existência depois da Morte. As seguintes sentenças são algumas das formas em que estes conceitos se usam nos Gathas:
A mensagem de Zaratustra leva à Totalidade e à Integridade (Canto 4.6). Ao que é amigo do Sábio Divino se lhe concede a Totalidade e a Imortalidade (Canto 4.21). As falsas deidades privam as pessoas da Imortalidade (Canto 5.5).
Haurvatat e Ameretat são concedidos por Deus (Canto 6.8). As boas acções, palavras e venerações levam a eles (Canto 7.1). Eles levam ao esplendor de Deus (Canto 7.11). Os que ouvem a mensagem divina terão a Totalidade e a Imortalidade (Canto 10.5). Eles são concedidos através da doutrina da Boa Mente (Canto 16.7)
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